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COBRAPE - Companhia Brasileira de Projetos e Empreendimentos
 
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Programa de Uso Racional da Água: medida certa para a valorização dos recursos hídricos
  
21/10/2014

A crise hídrica sem precedente que afeta a maior metrópole do Brasil põe em relevo uma realidade até recentemente ignorada por nossos gestores e ainda não assimilada em nossa cultura: a água não é infinita, sua renovação depende de condições climáticas, hidrológicas e ambientais favoráveis, e está cada vez mais rara – e cada vez mais cara –, particularmente nos grandes centros urbanos do sudeste e sul do País, onde as fontes disponíveis são insuficientes para atender às múltiplas necessidades geradas pelo crescimento econômico e demográfico. Soma-se a isso o fato de que grande parte da água tratada se perde devido a problemas nos sistemas de distribuição e ao uso perdulário.

O caso da Região Metropolitana de São Paulo é emblemático. Neste início de século, as perdas no trajeto entre as estações de tratamento e as casas e edifícios chegaram a representar 34%, e atualmente são de 25%. E da água que chega ao consumidor, uma proporção bastante significativa é desperdiçada: o consumo per capita na Região, e na maior parte das metrópoles brasileiras, pode ultrapassar 200 litros/dia, quando o recomendado pela Organização Mundial da Saúde para satisfazer as necessidades básicas do indivíduo é de 110 litros/dia.

Para se ter uma ideia do custo que isso representa, basta um exemplo: a fim de garantir o abastecimento de 1,5 milhão de moradores da Região, estão sendo investidos R$ 6 bilhões na implantação do Sistema Produtor São Lourenço, que vai captar água a 83 km de distância – empreendimento que só pôde ser viabilizado através de uma parceria público-privado. A meta é ampliar a produção de água tratada em 4,7 m³/s. passando de 73 m³/s para 77,7 m³/s em 2018.

Essa simples equação mostra o esgotamento do modelo tradicional de gestão dos recursos hídricos centrado apenas na ampliação da oferta, e o acerto das ações direcionadas à redução da demanda, como programas de controle de perdas, reúso e combate ao desperdício. Em São Paulo, como na maioria dos grandes centros urbanos de todo o mundo, é cada vez maior a preocupação em garantir uma elevada eficiência do uso água, dada a importância estratégica desse recurso para o desenvolvimento socioeconômico e, no limite, para a própria sobrevivência da vida no planeta.

O Programa de Uso Racional da Água – PURA, que começou a ser implantado em prédios públicos da Região Metropolitana de São Paulo em 1996, reflete essa mudança de paradigma que vem se operando no planejamento dos recursos hídricos – da gestão exclusiva da oferta para a gestão também da demanda. Criado pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – Sabesp, o Programa explora as possibilidades de otimizar o uso da água existente, combinando a adoção de equipamentos economizadores e reparos nas instalações hidráulicas a ações educativas voltadas à conscientização dos usuários para a necessidade de mudança de hábitos.

As experiências realizadas até aqui já demonstraram que o PURA pode reduzir de forma expressiva a demanda, trazendo resultados imediatos e de longa duração, e que é viável financeiramente, visto que a recuperação do capital investido ocorre em períodos muito curtos, em muitos casos antes mesmo do final da implantação. Exemplo é o trabalho desenvolvido pelo consórcio Cobrape-BBL na Penitenciária Feminina de Santana, na capital paulista, desde 2012. Em dois anos, o consumo mensal caiu de 58.360 litros para os atuais 29.444 litros (julho de 2014). No acumulado do período, isso representa uma economia de R$ 10,06 milhões, o suficiente para cobrir o investimento realizado.

No cômputo geral, a economia média mensal obtida com a implantação do Programa pela Sabesp em 2.751 imóveis públicos, até o início de 2014, chega a 16%, o equivalente a 161 milhões de litros/mês.

 Tecnologias e Práticas Economizadoras

As discussões em torno da necessidade de políticas de conservação e de uso racional da água começaram a ganhar força no Brasil a partir do Simpósio Internacional sobre Economia de Água de Abastecimento Público, realizado em São Paulo, em 1986, pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT. Uma das contribuições mais relevantes do Simpósio – dos pesquisadores Adilson Rocha, Douglas Barreto e Marcos Montenegro – mostrou que a quantidade de água consumida no país poderia ser reduzida significativamente mediante modificações nas características dos componentes das instalações hidráulicas prediais, sem prejuízo para o conforto dos usuários.

O evento abriu caminho para iniciativas importantes, como a criação de parcerias entre fabricantes e instituições de pesquisa para o desenvolvimento de componentes de baixo consumo de água. E muitas residências, instituições públicas e prédios comerciais passaram a adotar os novos equipamentos economizadores.

O Programa de Uso Racional da Água – PURA da Sabesp foi a primeira iniciativa no Brasil no âmbito de uma política pública. Para definir o suporte tecnológico do Programa, a empresa contou com o apoio do IPT e da Escola Politécnica da USP. Simultaneamente, passou a atuar junto a fabricantes de equipamentos hidráulicos, buscando os produtos mais adequados às suas finalidades. E para a implementação do Programa, estabeleceu parcerias com órgãos públicos estaduais e municipais – responsáveis por 7.900 imóveis na Região Metropolitana de São Paulo – oferecendo aos participantes um desconto de 25% na tarifa de água desde que cumprida uma meta de redução mensal de consumo de 20%.

Desde as primeiras experiências, quando foram desenvolvidos projetos-piloto em hospitais, escolas estaduais, cozinhas industriais, prédios comerciais e condomínios para testar a metodologia de ação, os resultados comprovaram a eficácia do Programa. Particularmente nas escolas estaduais, onde o abastecimento de água é uma das maiores contas pagas pelo governo, a redução média do consumo mensal chegou a 55% com a implantação das tecnologias economizadoras, reparos em tubulações e caixas d’água e campanhas educativas. E a recuperação do capital investido ocorreu, em média, em menos de um ano.

A metodologia para implementação do PURA compreende três etapas. Primeiramente, uma equipe designada pela Sabesp vai à instalação, faz o levantamento de todo o processo de consumo e utilização de água, detecta pontos críticos e aponta a margem de economia possível; e com base nesses dados faz uma projeção dos ganhos financeiros, benefícios e prazos para o retorno do investimento. Em seguida, uma equipe especializada estabelece as ações, investimento necessário e prazo para execução de obras. A última etapa consiste na execução das obras. Todo o processo é acompanhado de ações educativas e de sensibilização e responsabilização dos usuários.

As ações educativas são uma peça-chave do PURA. Para que os efeitos da redução do desperdício perdurem, é necessário que as pessoas que usufruem dos espaços reformados se conscientizem do valor econômico e social da água e incorporem essa nova consciência aos hábitos cotidianos. As ações envolvem a formação de gestores, controladores e multiplicadores, e são desenvolvidas nos próprios locais de intervenção e através de ciclos de cursos e palestras promovidos pela Sabesp para grupos específicos.

Parceria Cobrape

A Cobrape tem sido um parceiro importante da Sabesp na implantação, desenvolvimento e aprimoramento do PURA nos últimos 15 anos. Entre as primeiras experiências da empresa, destaca-se a participação nas fases II e III do Programa na Universidade de São Paulo, entre 2000 e 2002. O PURA-USP, iniciado em 1998, resultou em uma redução de 41% no consumo mensal de água, o que representa menos 2,5 milhões de litros/mês em relação àquele ano.

Ao longo desse período, a Cobrape constituiu e consolidou uma equipe de técnicos preparados para atuar em todas as etapas do PURA e nos mais diversificados tipos de edificação, consideradas desde as finalidades a que se destinam e o público envolvido até características das instalações hidráulicas, arranjos arquitetônicos e demais fatores que interferem no consumo de água. Até o final de 2013, a empresa trabalhou na implantação do Programa em 973 imóveis, obtendo, na média, uma redução de 27,8% no consumo mensal de água, com retorno do investimento inicial em torno de 12 meses.

Nessa lista incluem-se, além da USP (36 imóveis), o Palácio dos Bandeirantes, escolas municipais (409 unidades entre creches, pré-escolas e instituições de ensino fundamental), escolas estaduais (131 unidades), Hospitais, UBS e Prontos-Socorros (249 unidades) e 13 prédios da Prefeitura Municipal de São Paulo, entre os quais a sede da Prefeitura, os edifícios Matarazzo, Martinelli e São Joaquim, Teatro Municipal, Câmara Municipal, Subprefeituras e Administrações Regionais. E ainda o projeto em andamento na Penitenciária Feminina de Santana, e em um lote de 160 escolas estaduais, iniciado em 2014.

Para todos os tipos de edificação, os procedimentos para a implantação do Programa obedecem à mesma sequência, que culmina com a indicação e realização de obras para correção de vazamentos em reservatórios, redes de água e instalações hidráulicas, e a substituição de equipamentos convencionais por equipamentos economizadores de água, como torneiras de fechamento automático, bacias sanitárias com volume de descarga reduzido e válvulas de fechamento automático para chuveiros.

Contudo, as soluções adotadas, tanto do ponto de vista técnico quanto das ações de conscientização e responsabilização dos usuários, devem se adequar às condições específicas de cada ambiente. As situações com que se depara a equipe técnica da Cobrape vão desde restrições a intervenções físicas em edifícios tombados pelo patrimônio histórico, como o Martinelli ou o Teatro Municipal, até a persistência de atos de vandalismo após as reformas, como ocorre em instituições escolares.

O caso mais desafiador enfrentado pelos técnicos é, sem dúvida, o da Penitenciária Feminina de Santana, onde a empresa vem trabalhando de forma sistemática desde agosto de 2012. Para chegar a uma redução de 47% no consumo mensal de água, nível alcançado em julho de 2014, e para garantir a permanência desse resultado, foi necessário um grande esforço criativo, que resultou no desenvolvimento de uma metodologia de gestão do consumo reconhecida pela Sabesp como um modelo a ser replicado em todo o Estado.

A novidade consistiu na setorização das áreas funcionais da Penitenciária, com a instalação de 160 hidrômetros individuais para setores de abastecimentos, 161 transmissores de radiofrequência, 155 válvulas esféricas, repetidores e concentradores de dados. O sistema é uma adaptação do modelo de telemedição desenvolvido pela Sabesp que permite o monitoramento do consumo de água a distância, em tempo real. Os dados são transmitidos por radiofrequência para o servidor da Secretaria de Administração Penitenciária.

A Penitenciária abriga atualmente 2.600 detentas e 500 funcionários ativos que trabalham em três turnos, e a edificação é composta de três pavilhões divididos em duas alas com cinco andares cada, além dos prédios que compõem as áreas administrativas. No total, são 1.500 celas distribuídas entre os pavilhões (1.368 celas) e áreas administrativas (132 celas). Com a instalação dos hidrômetros em pontos estratégicos, é possível identificar rapidamente algum pico de consumo ou possível vazamento.

Antes da implantação do PURA, apesar da elevada conta de consumo, a Penitenciária enfrentava uma situação crônica de falta d’água, seja devido a vazamentos nas instalações hidráulicas ou problemas nos reservatórios, seja por atos de vandalismo. Para prevenir esse risco, foram instalados nas celas equipamentos adaptados, como caixas de descarga de embutir com trava, torneiras antivandalismo, chumbadas na parede e com acionamento manual e fechamento automático, além de duchas em material plástico, todos com vazão reduzida.

Simultaneamente às intervenções físicas, foi organizado na Penitenciária um programa de educação ambiental visando a formação de multiplicadores, com duas modalidades de treinamento: formação de gestores de água, envolvendo 125 funcionários; e PURA na cozinha, com orientações para o melhor aproveitamento da água utilizada na higienização dos alimentos e do ambiente.

As ações educativas são fundamentais em todos os projetos de implantação do PURA, a começar pelo comprometimento dos gestores. No caso das escolas, outro grande desafio para os técnicos, devido a práticas cristalizadas de vandalismo entre os estudantes, o trabalho começa o treinamento de diretores e pessoal administrativo para subsidiá-los com informações técnicas e motivá-los a encampar o projeto. As etapas seguintes são a mobilização de professores e funcionários, que são treinados para atuar na promoção de mudança de comportamento e atitudes em relação às questões ambientais e à necessidade de preservação dos recursos hídricos; e a preparação dos encarregados de manutenção, que exercerão o papel de controladores.

Redução de Perdas

Além do PURA, a Cobrape vem prestando serviços à Sabesp no âmbito do Programa Corporativo de Redução de Perdas, com financiamento da JICA – Japan International Cooperation Agency, que compreende ações voltadas para a manutenção de rede (reparos de vazamentos em redes, inspeção de ligações irregulares e inativas); renovação de ativos (substituição de redes, ramais e hidrômetros); gestão da infraestrutura existente (gestão da pressão, com implantação de setorização). Desde o início do Programa, em 2009, até o final de 2013, o volume total de água economizado pela redução de perdas físicas foi de 29,4 milhões de metros cúbicos.

Atualmente, a empresa está iniciando dois novos projetos, um na Unidade de Negócio Norte e outros na Unidade de Negócio Centro da Sabesp, para a execução de pesquisa de vazamentos não visíveis e outros serviços relacionados em redes e ramais dos sistemas de abastecimento, previstos no Programa, que tem recursos assegurados pela JICA até 2016.

Os resultados positivos das medidas de controle da demanda vêm reforçar a velha máxima adotada pela Sabesp e que nunca é demais repetir: “Água, sabendo usar não vai faltar”.

 
 
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